Apresentação


Concílio de Trento

450 anos de História

Pela época em que ocorreu e pela importância das transformações sociopolíticas, institucionais e culturais que o motivaram e que, depois, promoveu, o Concílio de Trento ocupa uma posição de charneira com grande significado na longa viragem do mundo antigo e medieval para o moderno. Por isso diz respeito à história do cristianismo europeu e tem muito a ver com o mundo inteiro, cujo horizonte real começava, por aquele tempo, a definir-se de forma cada vez mais visível nos pressupostos e nas perspetivas das questões conciliares.
Na história do cristianismo e da sua continuidade ocidental representada pela Igreja Católica, os concílios ecuménicos marcam com especial intensidade as relações com as sociedades em que se inserem. Neles se definem novas fases, na sua organização, teologia e forma de olhar o mundo, com impacte na cultura dos povos. Os dados culturais de cada contexto epocal são pertinentes como fator e, ao mesmo tempo, como resultado da dinâmica conciliar. Desde os primeiros séculos, é nesse âmbito que se tem definido o património doutrinal da Igreja e se foi constituindo o seu magistério histórico. Por isso, os concílios costumam ter uma projeção que ultrapassa o âmbito da própria Igreja.
Nos últimos 500 anos, dois concílios marcaram significativamente a história ocidental. O mais recente foi o Concílio Vaticano II (1962-1965), de grande ressonância em termos de comunicação social pela marca de abertura e diálogo que suscitou e pelas transformações que promoveu; o outro foi o Concílio de Trento, realizado no século XVI, que ficou famoso por ter impulsionado a chamada Contra-Reforma católica, em reação à chamada reforma protestante. Este último, em contrapartida, tem sido objeto de múltiplas leituras, que são, por vezes, controversas.
O protestantismo, simbolizado no gesto de Lutero que enunciou por escrito e afixou, a 31 de Outubro do ano de 1517 na porta da catedral de Wittenberg, as 95 teses de crítica e condenação relativamente à situação da Igreja naquele tempo, agudizou o sentimento de necessidade de reforma que, dentro da própria Igreja Católica, muitos homens e mulheres de fé já reclamavam, perante o afrouxamento da exigência de vida cristã nas sociedades do tempo do Renascimento.
O Congresso Internacional que aqui se anuncia visa promover a investigação e reflexão interdisciplinar aprofundada em torno a um acontecimento nuclear e fundante para a reforma católica: o Concílio de Trento. Depois de várias tentativas falhadas para reunir um novo concílio, este XIX Concílio Ecuménico da Igreja Católica foi realizado na cidade de Trento, entre os anos de 1545 e 1563. O concílio desenvolveu-se mais precisamente em três fases: 1.ª — 1545/1548; 2.ª — 1551/1552; 3ª — 1562/1563, tendo uma parte das sessões decorrido em Bolonha, nos anos de 1547 e 1548.
Pretendemos prestar especial atenção ao significado de Trento no horizonte histórico e cultural português, desde os mais diversos pontos de vista, nomeadamente, as reformas eclesiásticas e pastorais, as espiritualidades e vivências cristãs, bem como o reflexo na cultura e na atividade missionária. Dar-se-á o merecido destaque à análise do grau de participação no concílio por parte de bispos e teólogos portugueses, onde se destacaram, entre outros, Frei Bartolomeu dos Mártires, Frei Jerónimo de Azambuja, Frei Luís de Soto Maior e João Pais.
O Concílio de Trento despertou na Igreja a necessidade de se mobilizar para os novos desafios da evangelização universal suscitados pelas viagens marítimas promovidas pelos reinos ibéricos de Portugal e Espanha. O descobrimento de novos espaços, povos e culturas ia oferecendo à Igreja um campo de anúncio da mensagem de Cristo nunca antes visto. O horizonte de expansão referido nos evangelhos como devendo chegar aos “confins da terra” ia ganhando novas semânticas, de traçado cada vez mais evidente e incontornável e provocando inusitadas movimentações.
Na frente europeia, a Igreja precisava urgentemente de responder ao desafio do Protestantismo e às suas críticas com uma urgente renovação; precisava de regressar às fontes da fé e fomentar uma vida cristã profunda e coerente, mais consentânea com os ditames do Evangelho, revendo e reafirmando doutrinas fundamentais. Neste sentido, o concílio promoveu uma formação mais sólida do clero através de seminários diocesanos e de currículos mais exigentes e profundos, reviu, reforçou e refundou a missão dos bispos na Igreja à frente das Igrejas locais, as Dioceses. Estabeleceu orientações para dignificar a missão episcopal na Igreja, combatendo o absentismo e entendendo a função dos bispos menos como lugar de promoção e prestígio social ou cargo honorífico e mais como exercício de um ministério comprometido, com obrigação de residência nas suas dioceses, visitas pastorais às paróquias e acompanhamento da ação dos padres e da formação do clero.
O reforço institucional e pastoral da Igreja promovido pelos decretos tridentinos mobilizou o catolicismo para uma dinâmica de renovação e reação ao avanço do movimento protestante. Todavia, a imagem deste concílio ficou marcada na cultura portuguesa por leituras críticas que lhe atribuíam responsabilidades no retrocesso de Portugal e dos países católicos em geral. Especialmente a partir do século XIX, certas interpretações de decadência por parte de autores emblemáticos como Antero de Quental e o seu influente opúsculo intitulado Causas da Decadência dos Povos Peninsulares, preparado para as Conferências do Casino em 1871, atribuem à influência do catolicismo de Trento a decadência dos povos ibéricos, em contraposição com o progresso dos povos protestantes do Centro e Norte da Europa. A esta tese anda, por vezes, associada a atividade dos Jesuítas, com origem no mesmo contexto histórico e vista como mais uma das causas do atraso português.
Com o rigor e a transparência que a distância e experiências acumuladas de leitura já nos permitem, deve ser, hoje, possível aceder a novas sínteses sobre linhas de causalidade mais plausíveis e sobre definições de sentido mais apuradas. Com efeito, não faltaram nações católicas que, como a França, não deixaram de se guindar ao nível de potências europeias¸ tendo dado aso a um movimento de tamanha radicalidade como o da revolução francesa.
Questões como estas poderão estimular a investigação e a reflexão, de modo a reconsiderar as realidades do concilio de Trento bem como rever as suas leituras e sucessivas releituras, convocando saberes e perspetivas de análise complementares, para que a história e receção deste concílio seja compreendida com a complexidade ali implicada. Ao lançar a ideia de um congresso sobre o Concílio de Trento, o Professor José Augusto Mourão formulava propostas de leitura, ao suscitar a pergunta sobre que intenção teria presidido à realização do concílio. Seria de restaurar ou de inovar? Interessa-nos, evidentemente, um congresso onde este tipo de questionamentos possa ter eco e atingir algumas respostas.

20/10/2012

Presidente da República
Cardeal Patriarca da Lisboa
Arcebispo de Braga
Núncio Apostólico em Portugal
Reitor da Universidade de Lisboa
Reitor da Universidade Católica Portuguesa
Reitor da Universidade do Porto
Reitor da Universidade do Minho
Diretor da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa
Presidente da Fundação Calouste Gulbenkian
Presidente da Câmara Municipal de Braga
Presidente da Confraria do Bom Jesus
Presidente da Confraria do Sameiro
Presidente da Fundação Champalimaud

20/10/2012

Presidente: José Augusto Ramos (Universidade de Lisboa)

Alberto Vieira (Centro de Estudos de História do Atlântico)
Alcir Pecora (Unicamp)
Alfonso Alfaro (Instituto de Investigaciones Artes de México)
Annabela Rita (Universidade de Lisboa)
António Borges Coelho (Universidade de Lisboa)
António Matos Ferreira (Universidade Católica Portuguesa)
António Ventura (Universidade de Lisboa)
Arnaldo do Espírito Santo (Universidade de Lisboa)
Béata Cieszýnska (Universidade de Lisboa)
Bento Domingues (Instituto São Tomás de Aquino)
Bernard Vincent (École des Hautes Études en Sciences Sociales — Paris)
Carlos Fiolhais (Universidade de Coimbra)
Christine Vögel (Universidade de Vechta) 
David Sampaio Barbosa (Universidade Católica Portuguesa)
Décio Martins (Universidade de Coimbra)
Eduardo Romo (Universidade de Salamanca)
Ernesto Rodrigues (Universidade de Lisboa)
Fernando Cristóvão (Universidade de Lisboa)
Francolino Gonçalves (Escola Bíblica de Jerusalém)
Franquelim Neiva Soares (Instituto de História e Arte Cristãs da Arquidiocese de Braga)
Gaetano Platania (Universidade de Viterbo)
Guy Bedouelle (Universidade de Friburgo)
Hervé Legrand (Ordem dos Pregadores)
Idalina Resina Rodrigues (Universidade de Lisboa)
Ignacio Pulido Serrano (Universidade de Alcalá de Henares)
João Adolfo Hansen (Universidade de São Paulo)
João Francisco Marques (Universidade do Porto)
João Paulo Oliveira e Costa (Universidade Nova de Lisboa)
José Carlos Lopes de Miranda (Universidade Católica Portuguesa)
José Marques (Universidade do Porto)
José Nunes (Instituto São Tomás de Aquino)
José Nunes Carreira (Universidade de Lisboa)
José Viriato Capela (Universidade do Minho)
Luís Filipe Barreto (Universidade de Lisboa)
Luís Filipe Silvério Lima (Universidade Federal de São Paulo)
Luís Machado de Abreu (Universidade de Aveiro)
Manuel Augusto Rodrigues (Universidade de Coimbra)
Maria Cristina Pimentel (Universidade de Lisboa)
Mariagrazia Russo (Universidade de Viterbo)
Mary del Priore (Universidade de São Paulo)
Massimo Leone (Universidade de Turim)
Mateus Peres (Instituto São Tomás de Aquino)
Pedro Calafate (Universidade de Lisboa)
Pierre-Antoine Fabre (École des Hautes Études en Sciences Sociales — Paris)
Saul Gomes (Universidade Católica Portuguesa)
Vanda Anastácio (Universidade de Lisboa)
Vítor Serrão (Universidade de Lisboa)

20/10/2012

Coordenação Executiva:


Presidente: Ana Cristina da Costa Gomes (Centro Científico e Cultural de Macau, I.P.)
                   José Paulo Leite de Abreu (Universidade Católica Portuguesa)

Isabel Murta Pina (Centro Científico e Cultural de Macau, I.P.)
Joana Leandro (Instituto de História e Arte Cristã da Arquidiocese de Braga)
José Eduardo Franco (Universidade de Lisboa)
José Manuel Fernandes (Instituto São Tomás de Aquino)
Maria Isabel Varanda (Universidade Católica Portuguesa)
Paula Carreira (Universidade de Lisboa)

Membros:


Aida Lemos (Universidade de Lisboa)
Carlos Maduro (Universidade de Lisboa)
Cristiana Lucas Silva (Universidade de Lisboa)
Elisa Lessa (Universidade do Minho)
Florentino Franco (Instituto Europeu de Ciências da Cultura Padre Manuel Antunes)
Joana Balsa de Pinho (Universidade de Lisboa)
Luís Pinheiro (Universidade de Lisboa)
Manuel Joaquim Gomes Barbosa (Conferência dos Institutos Religiosos de Portugal)
Maria Alexandrina Costa (Universidade de Lisboa)
Micaela Ramon (Universidade do Minho)
Paulo de Assunção (Universidade de São Judas Tadeu)
Paulo Rocha (Agência Ecclesia)
Ricardo Ventura (Universidade de Lisboa)
Susana Alves-Jesus (Universidade de Lisboa)
Teresa Pimenta Peralta (Escola Superior de Artes Decorativas da FRESS) 
Valmir Muraro (Universidade Federal de Santa Catarina)

20/10/2012

Centro Científico e Cultural de Macau, I.P.
Centro de História da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa
Centro de Literaturas e Culturas Lusófonas e Europeias da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa
Instituto de História e Arte Cristãs da Arquidiocese de Braga
Instituto Europeu de Ciências da Cultura Padre Manuel Antunes
Instituto São Tomás de Aquino – Província Portuguesa da Ordem dos Pregadores

20/10/2012

Agência Ecclesia
Arquidiocese de Braga
Associação Portuguesa de Tradutores
Centre d'Anthropologie Religieuse Européenne du Centre de Recherches Historiques EHESS/CNRS
Centro de Estudos Clássicos da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa
Centro de Estudos de História do Atlântico
Centro de Estudos Humanísticos da Universidade do Minho
Centro de Investigação Transdisciplinar Cultura, Espaço e Memória das Universidades do Porto e do Minho
Conferência dos Institutos Religiosos de Portugal
École des Hautes Études en Sciences Sociales
Escola Superior de Artes Decorativas da FRESS
Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa
Instituto de História da Arte da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa
Rádio Renascença
Universidad de Acalá de Henares
Universidade Federal de Santa Catarina
Università degli Studi della Tuscia di Viterbo
Università di Torino

20/10/2012

Arquidiocese de Braga
Fundação para a Ciência e a Tecnologia
Hotéis Bom Jesus
Santa Casa da Misericórdia de Braga
Turel Viagens

20/10/2012

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